O desafio de ampliar o mercado externo

22/09/2009

Pedro de Camargo Neto

Pedro de Camargo NetoA cadeia suína brasileira, com 30 milhões de cabeças, produção de 3 milhões de toneladas de carne, geração de 630 mil empregos diretos e indiretos, investimentos no campo e na indústria de R$ 9 bilhões, receita de R$ 84 bilhões, sendo R$ 30,4 bilhões no mercado interno, R$ 2,6 bilhões no mercado externo, R$ 51,6 bilhões na distribuição e no varejo, é uma importantíssima atividade econômica, principalmente no Sul e Sudeste do País.

O mercado interno absorve 80% da produção, e as perspectivas são animadoras, pois o consumo vem se ampliando com o crescimento da economia, com o aumento do poder aquisitivo dos brasileiros e o reconhecimento pelo consumidor do sabor inigualável da carne suína.

O mercado externo também acena com enormes oportunidades, mas representa o principal desafio para o empresário brasileiro, que enfrenta barreiras técnicas, essencialmente de ordem sanitária, e obstáculos como lentidão burocrática no Brasil e na maior parte dos países aos quais pretende fornecer a carne suína nacional.

Muitas vezes, um simples atraso do governo brasileiro no preenchimento de um questionário enviado pelo país potencialmente importador pode significar a perda de vários meses de um precioso tempo para o nosso exportador, que enxerga no mercado externo a oportunidade de escoar sua produção de alto padrão de qualidade a preços competitivos.

O mercado externo nem sempre apresenta condições de concorrência justa para produtos do agronegócio brasileiro. Exportadores norte-americanos, canadenses e europeus recebem apoio de seus governos para exportar carne suína a mercados que o Brasil gostaria de ter como clientes, como Japão, China, União Europeia, Coreia do Sul, África do Sul e Filipinas. Além de lutar contra barreiras externas e condições desiguais de concorrência, o exportador brasileiro enfrenta o efeito da valorização do Real.

Mesmo com os baixos preços praticados no mercado interno, as exportações perdem competitividade com a atual relação cambial. Infelizmente, o governo não demonstrou até agora sinais de que pretende intervir, evitando sérios prejuízos à economia. Infelizmente, não temos conseguido ampliar as exportações. A abertura de novos mercados prossegue de maneira excessivamente lenta.

Neste ano, estimamos que as vendas externas de carne suína fiquem em torno de 600 mil toneladas, em relação a 529,4 mil t em 2008, 606,5 mil t em 2007 e 528,1 mil t em 2006.

Em janeiro, previmos que 2009 seria o ano da conquista de mercados que aportariam o almejado salto nas exportações. Registramos, com frustração, oportunidades políticas mal aproveitadas, como os encontros entre o presidente Lula e seus colegas da China e das Filipinas, que poderiam ter avançado o processo de abertura de mercado para as exportações brasileiras de carne suína.

No final de agosto, finalmente uma boa notícia: a abertura do mercado vietnamita. Importante país consumidor de carne suína, é também grande produtor. Em anos recentes, tem importado pequenas quantidades, porém trata-se de um mercado potencialmente atraente. O Vietnã é outro destino de nossas vendas na Ásia, região das mais promissoras para futuras exportações do Brasil.

Outubro se aproxima, e simbolicamente poderia trazer ares de esperança, uma vez que no mesmo mês, em 2008, iniciou-se a mais grave das crises financeiras internacionais desde a década de 1930, resultando, nos meses de novembro e dezembro, em uma queda significativa das vendas externas. Esperamos que até o final do ano o esforço do setor privado seja maximizado com ações estratégicas do governo, visando à conquista de novos consumidores no mercado internacional.

Carne Suína Brasileira

Opinião

O desafio de ampliar o mercado externo

A cadeia suína brasileira, com 30 milhões de cabeças, produção de 3 milhões de toneladas de carne, geração de 630 mil empregos diretos e indiretos, é uma importantíssima atividade econômica.

Mais sobre Carne Suína

Carne Suína Abipecs no Twitter