São Paulo, 05 de setembro de 2010
Pedro de Camargo Neto
O Globo
É inquestionável o fortalecimento da economia nacional.
Entre os vários fatores, certamente o setor agrícola tem muito contribuído. O resultado da balança comercial, responsável pelo acúmulo de reservas internacionais, é claramente responsabilidade do setor.
As exportações agrícolas cresceram 400% em vinte anos.
A menor participação da alimentação nos orçamentos familiares, resultado da redução de custo dos produtos agrícolas, é outra importante conquista.
O desenvolvimento e a melhora de qualidade de vida em amplas regiões no interior do país também são reflexos do crescimento do setor agrícola.
O que aconteceu nos últimos vinte anos que colocou a Agricultura, muitas vezes vista, no passado, como patinho feio da economia, na posição de galinha de ovos de ouro do desenvolvimento? Alterações fundamentais ocorreram para que o Brasil se colocasse entre o primeiro ou o segundo maior exportador de um grande número de produtos.
Aumentos de produtividade em todos os itens foram fundamentais como reflexo de pesquisa e extensão rural.
O empreendedorismo e a cultura do produtor rural tiveram papel preponderante.
A migração foi responsável pelo desenvolvimento de novas regiões produtoras. A pujança da sojicultura no Centro-Oeste não existiria sem o agricultor do Sul do país.
A liberalização da economia, com reduções de imposto de importação, aumentou o poder de compra da Agricultura para seus insumos. As tarifas médias se reduziram de 36% para 12%; as máximas, de 105% para 35%. Os fertilizantes e agroquímicos ficaram mais baratos, permitindo aumentos de tecnologia.
Os controles autárquicos do comércio exterior terminaram, lembrando que eram invariavelmente administrados de maneira antiagrícola, quer seja para proibir a exportação de fibra de algodão ou facilitar a importação danosa de lácteos.
A reforma tributária, que ainda nos aflige, teve para o setor importantíssimo avanço com a Lei Kandir, que retirou o ICMS das exportações agrícolas, aumentando fortemente a competitividade de inúmeros produtos.
Avanços em sanidade animal permitiram a abertura de crescentes mercados externos. Em relação à carne bovina, em 1990, contávamos os focos de febre aftosa em milhares.
Hoje, são poucos e esporádicos, mas nos impedem acesso a ainda melhores mercados. Conquistamos o mercado internacional de carne de aves garantindo sanidade.
A extinção do Instituto do açúcar e do Álcool, autarquia que até 1990 tinha a gestão das quotas de produção e o monopólio das exportações de açúcar, que obrigatoriamente tinham de sair da região Nordeste, liberou o Centro-Sul para produzir e exportar.
Rapidamente, o Brasil se tornou o maior e mais eficiente exportador de açúcar do mundo, com exportações crescendo mais de 16% ao ano.
A privatização dos portos permitiu investimentos privados em terminais de contêineres frigorificados e graneleiros ampliando em múltiplos sua eficiência.
Para o futuro precisamos mais do mesmo. Mais pesquisa e tecnologia.
Mais sanidade e biossegurança. Mais eficiência na questão tributária. Mais portos, pois os existentes já foram aprimorados o possível. Precisaremos, também, iniciar a melhoria dos transportes, elo que ficou faltando.
Mais trabalho no desenvolvimento de um setor pujante e sustentável para o desenvolvimento nacional.
PEDRO DE CAMARGO NETO é presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. Foi secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura.
A cadeia suína brasileira, com 30 milhões de cabeças, produção de 3 milhões de toneladas de carne, geração de 630 mil empregos diretos e indiretos, é uma importantíssima atividade econômica.
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