Camargo Neto: Indústria acertou ao parar de vender carne para a Argentina

01/02/2012

AE Broadcast Ao Vivo
Suzana Inhesta


A interrupção dos embarques de carne suína para a Argentina, no último dia 26, foi uma decisão acertada dos exportadores brasileiros, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo nesta tarde. “As novas regras de importação do governo argentino entraram em vigor hoje e, com a interrupção antecipada, não temos caminhões parados na fronteira, aguardando a nova burocracia. Foi uma medida de cautela”, afirmou.

Segundo Camargo Neto, as informações que chegam de Buenos Aires são desencontradas. “Nem os importadores sabem direito quais são as regras e quais produtos atingem. É inacreditável que novas regras entrem em vigor sem explicações mais claras. Temos que aguardar informações mais precisas para voltarmos a vender ao país”, disse o executivo. Em 2011, a Argentina teve uma participação de 8,14% nas vendas externas de carne suína brasileira, ficando na quarta posição dos principais destinos. “A Argentina está longe dos primeiros lugares - Hong Kong teve participação de 25,12% e Rússia, 24,49% -, mas é importante”, completou.

Com relação ao embargo russo, que vigora desde 15 de junho passado, o presidente da Abipecs afirmou que o setor não sabe como as negociações para reversão do embargo estão evoluindo.

“Estamos no escuro. Sabemos que o ministro (Mendes Ribeiro Filho, da Agricultura) foi para Berlim, se encontrou com as autoridades russas e está otimista com a reversão do embargo, mas não há confirmações”, declarou. Para Camargo Neto, é “inadmissível” que a suspensão das vendas para a Rússia, um dos principais mercados do produto brasileiro, já dure mais de seis meses.

O executivo ressaltou que o País não pode perder mais mercados. “Trabalhamos sempre para incluir mais destinos, como foi o caso de China e Estados Unidos. Mas sempre acontece algum problema. Já perdemos Rússia, Argentina, África do Sul e Albânia. Não podemos mais perder mercados”, reclamou.

Mesmo com alguns percalços, o setor está otimista com as exportações para o ano. De acordo com Camargo Neto, as vendas externas deverão ficar um pouco acima de 2011, que totalizaram US$ 1,434 bilhão, com embarques de 516,419 mil toneladas. “Dependerá muito de resolver os problemas com Rússia e Argentina”, disse. Sobre a liberação dos Estados Unidos à carne suína brasileira, Camargo Neto disse que a abertura foi uma chancela para outros países e aguarda, ainda neste ano, autorização para Japão e Coreia do Sul e a ampliação das vendas de novos produtos para a União Europeia.

Mercado interno e custos - O presidente da Abipecs também comentou sobre a demanda nacional, que sustentou as vendas do setor no ano passado. “Não dá para tomar como base os preços e a demanda de janeiro, que historicamente são fracos, para o restante do ano. O mercado interno continua muito ativo para a carne suína”, disse.

Sobre custos de produção, principalmente com o aumento das cotações do milho, Camargo Neto concordou que o clima prejudicou a colheita no Sul do País, principal produtora de milho primeira safra e que também é grande produtor da carne suína. Segundo ele, para minimizar os impactos no custo de produção da proteína, o governo precisará desenvolver mais programas de escoamento de milho no País.

Doux - Sobre a crise que atinge a Doux Frangosul, que segue atrasando o pagamento a integrados de suínos e aves no Rio Grande do Sul, Camargo Neto foi enfático. “O fato é muito negativo para a cadeia produtiva. É preciso aparecer o real dono da empresa para dar um fim nessa situação”, declarou.