São Paulo, 07 de fevereiro de 2012
"Ainda se fala que a carne de porco não traz problemas se for esturricada a 90 graus", disse. "A recomendação de cozimento não tem nada a ver com o H1N1, é indicada para outros vírus", completou, ao participar de uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
"Nossa preocupação era que não transparecesse uma denominação errada para o consumidor. Demorou alguns dias para que a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde aceitassem que aquilo estava errado [o nome gripe suína] e mudassem o nome", avaliou. "Agora estão chamando de A (H1N1), que é quase o nome científico, e os veículos de comunicação já chamam de 'nova gripe', para facilitar".
Na última quinta-feira, a OMS decidiu mudar oficialmente o nome da gripe de suína para "influenza A (H1N1)", motivada por reclamações das indústrias do setor alimentício, receosas de perderem vendas de carne suína. Defensores de animais também reclamaram do primeiro nome dado à doença.
Camargo Neto disse que o setor ainda se recupera das perdas provocadas pela crise financeira e, por isso, a gripe causa preocupação com uma eventual retração no mercado. Essa retração, segundo ele, até agora não foi sentida. "Perdas, perdas, perdas, a gente não pode falar ainda. O que houve foi uma certa confusão, negócios atrasaram, mas as vendas ocorreram. Estamos preocupados de não termos venda no futuro."
O presidente da Abipecs disse que o único mercado que o Brasil perdeu no exterior até o momento foi o Azerbaijão. Por outro lado, a Rússia solicitou informações sobre a carne suína brasileira para o Ministério da Agricultura. "Nossa expectativa é que o setor não perca o crescimento nas exportações, que vinha recuperando as perdas do ano passado."
"O prazo [desde o surgimento da nova gripe] é muito pequeno ainda. Mas todo dia a gente fica em sobressalto", concluiu Camargo Neto.
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