Produtores de carne de porco dizem travar "batalha da comunicação" para evitar associação com a gripe

05/05/2009

Claudia Andrade
UOL Notícias
Brasília

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) afirmou nesta terça-feira que o mercado trava uma "batalha da comunicação" para evitar perdas. Segundo
Pedro Camargo Neto, o mais importante é evitar a ligação do vírus da gripe A (H1N1) com o porco.

"Ainda se fala que a carne de porco não traz problemas se for esturricada a 90 graus", disse. "A recomendação de cozimento não tem nada a ver com o H1N1, é indicada para outros vírus", completou, ao participar de uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.

"Nossa preocupação era que não transparecesse uma denominação errada para o consumidor. Demorou alguns dias para que a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde aceitassem que aquilo estava errado [o nome gripe suína] e mudassem o nome", avaliou. "Agora estão chamando de A (H1N1), que é quase o nome científico, e os veículos de comunicação já chamam de 'nova gripe', para facilitar".

Na última quinta-feira, a OMS decidiu mudar oficialmente o nome da gripe de suína para "influenza A (H1N1)", motivada por reclamações das indústrias do setor alimentício, receosas de perderem vendas de carne suína. Defensores de animais também reclamaram do primeiro nome dado à doença.

Camargo Neto disse que o setor ainda se recupera das perdas provocadas pela crise financeira e, por isso, a gripe causa preocupação com uma eventual retração no mercado. Essa retração, segundo ele, até agora não foi sentida. "Perdas, perdas, perdas, a gente não pode falar ainda. O que houve foi uma certa confusão, negócios atrasaram, mas as vendas ocorreram. Estamos preocupados de não termos venda no futuro."

O presidente da Abipecs disse que o único mercado que o Brasil perdeu no exterior até o momento foi o Azerbaijão. Por outro lado, a Rússia solicitou informações sobre a carne suína brasileira para o Ministério da Agricultura. "Nossa expectativa é que o setor não perca o crescimento nas exportações, que vinha recuperando as perdas do ano passado."

"O prazo [desde o surgimento da nova gripe] é muito pequeno ainda. Mas todo dia a gente fica em sobressalto", concluiu Camargo Neto.