Passando a suinocultura a limpo

23/02/2011

Suinocultura Industrial
Nº 01/2011
Rodolfo Antunes (texto) e Humberto Luis Marques (fotos), de São Paulo

Conversar com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, é sempre uma experiência enriquecedora. Homem franco, profundo conhecedor do agronegócio e dos meandros das negociações internacionais, Camargo Neto tem sempre opiniões firmes, abalizadas, seja qual for o assunto.

Engenheiro por formação, pecuarista por opção, Camargo Neto milita no setor do agronegócio há mais de 20 anos. Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Fundador e presidente do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária de São Paulo (Fundepec), que se notabilizou por ser a primeira entidade privada a atuar, em parceria com o governo estadual, pela erradicação da febre aftosa.

Camargo Neto foi também secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, entre 2000 e 2002. Negociador habilidoso, foi o mentor dos contenciosos do algodão e do açúcar, contra os EUA e a União Europeia, na Organização Mundial de Comércio (OMC). Há sete anos está à frente da Abipecs.

Na entrevista a seguir, Camargo Neto fala sobre vários assuntos, como os riscos da volta da agroinflação, os casos de dioxina na Alemanha e o crescimento da participação da carne suína no mercado interno. Mas é nos temas mais controversos que a entrevista cresce. Durante a conversa, o presidente da Abipecs falou também sobre temas espinhosos. Em momento algum se esquivou, tergiversou ou deixou pergunta sem resposta. Abaixo é possível conhecer sua opinião sobre temas como a necessidade de criação de um mecanismo de precificação do suíno no Brasil, o sistema de defesa sanitária brasileiro e a cizânia de produtores e agroindústrias acerca dos contratos de integração. Os melhores trechos do bate-papo você confere a seguir.

Suinocultura Industrial - Em dezembro o índice global de preços dos alimentos da FAO bateu recorde. Em sua opinião há risco de uma nova crise nos preços dos alimentos?

Pedro de Camargo Neto - Os preços dos alimentos estão realmente em níveis historicamente altos em dólar. Mas sabemos também que a moeda norte-americana está desvalorizada. Existe um enfraquecimento do dólar. Então, todas as commodities subiram de preço em dólar. O quanto essa alta é real, no entanto, é difícil dizer. Não se pode pegar o aumento em dólar como percentual apenas e achar que isso é aumento. Por outro lado, existe um reajustamento global no consumo e na demanda de alimentos. A China, por exemplo, se estabeleceu como grande consumidora de produtos agrícolas e de commodities em geral. A Índia já está começando a se movimentar nessa linha. Há, portanto, mudanças em andamento. Camadas da população que se alimentavam mal passaram a se alimentar melhor. O lado bom dessa crise é que ela demonstra que as pessoas estão se alimentando melhor, estão consumindo mais alimentos. Basta olhar o Brasil. Há no País uma alta dos preços agrícolas muito grande. O mercado interno está aquecido, todos os produtos agrícolas, as carnes, os alimentos em geral, estão sendo muito bem vendidos, mesmo com os altos preços. Isso é resultado do aumento do poder aquisitivo da população. E o caso brasileiro não é isolado. Existem outros países nos quais as pessoas estão se alimentando melhor. O que o Brasil precisa é produzir mais. Temos que nos preparar para produzir mais, até porque as condições aqui são apropriadas. Temos muito o quê melhorar. O Brasil tem condições de produzir mais e contribuir melhor nessa equação de consumo e demanda mundial de alimentos.          

SI - O que o senhor acha da proposta da França de usar o G-20 para regular os preços de produtos agrícolas e criar um estoque mundial de alimentos?

Camargo Neto - A França é um país de política agrícola ultrapassada. É um país que não conseguiu se modernizar, que tem uma agricultura extremamente protegida, extremamente subsidiada. Então não podemos ver uma proposta da França como moderna. A França não tem condições de liderar essa discussão.

SI - A relação contratual entre suinocultores e indústrias vem sendo discutida e é um assunto que vem chamando bastante atenção do setor. Como o senhor vê essa discussão?

Camargo Neto - De maneira muito positiva. Acho que as questões que estão em discussão - como tornar mais claras as responsabilidade e obrigações de cada parte nos contratos - são apoiadas pela indústria. É preciso ter atenção, no entanto, para que o projeto de lei não seja regulamentado de maneira restritiva. A legislação tem que ser feita de uma maneira que não impeça a modernização do setor. O fato é que a integração é um sucesso. Então temos que avançar em cima desse sucesso e não condená-lo. Mas o debate está caminhando e acho importante. Acredito que o fato de a legislação estar aí seja positivo e acho que vamos chegar a uma equação final boa para os dois lados e que isso vai ser um avanço.    

SI - Como o senhor avalia o atual modelo de sistema de integração entre produtores e agroindústrias? Em sua opinião o modelo atual garante uma relação equilibrada entre produtores e agroindústrias? 

Camargo Neto - O modelo da integração é uma coisa, o contrato que existe é outra. O sistema de integração – no qual a indústria é supridora de tecnologia, de insumos, de rações - é um modelo que deu certo. Esse sistema dá estabilidade ao produtor. Tanto que quando se compara os contratos que existem nas regiões tradicionais - como em Santa Catarina - e os contratos que existem nas regiões mais novas - como Goiás - vê-se que são distintos. Afinal, os produtores são distintos, têm realidades distintas e, portanto, têm contratos distintos. O fato é que é um modelo que se ajustou, se adaptou, para realidades diferentes e é um modelo de sucesso. Agora, a gente sabe que existiram abusos, às vezes abusos, às vezes resultados de crises. É aquela história, “quando falta pão todos gritam e ninguém tem razão”. E é por isso que é importante estabelecer mecanismos na lei que deem condições de evitar que coisas desse tipo aconteçam. Mecanismos que garantam ao produtor, que é o elo mais fraco da cadeia, apoio para poder investir e permanecer na atividade. Agora, o que não se pode é criar condições de tal maneira rígidas que acabem penalizando o próprio produtor.

SI - Outro tema controverso diz respeito à formação do preço do suíno no Brasil. Alguns segmentos do setor suinícola entendem que a suinocultura brasileira prescinde de um mecanismo de referência de preços de amplo reconhecimento. O Cepea, ligado a Esalq/USP, por sua vez, deu início no ano passado, a um estudo cujo objetivo é tornar as informações do mercado suinícola mais transparentes e aumentar o leque e o fluxo dessas informações. Qual a opinião do senhor sobre o assunto?

Camargo Neto - Eu acho que a transparência de preços, das relações contratuais são sempre muito bem vistas. E o estudo que o Cepea está fazendo certamente vai ajudar. Agora, existe uma certa tendência a fazer correlação com o que existe no setor de cana-de-açúcar. Já vi gente defendendo um Consecana* para o setor de suínos. Mas as pessoas que falam isso ou não sabem o que é o Consecana ou não conhecem o seu setor. O Consecana é um contrato padrão onde o produtor de cana-de-açúcar recebe proporcional ao preço do açúcar no mercado interno, ao preço do açúcar no mercado externo, etanol tratado e etanol anidro. Então na cadeia de cana-de-açúcar existem quatro grandes produtos, quatro grandes commodities, de preços muito transparentes. O preço do etanol todo mundo sabe qual é, o preço do açúcar todo mundo sabe qual é, o preço do açúcar de exportação idem, é só entrar na página da Secex ou na Bolsa de Nova Iorque e está lá. É uma coisa simples de se averiguar. Então como tem lá quatro preços muito simples eles fizeram uma fórmula. Agora, transportar esse modelo para outras cadeias não é nada simples. Como fazer um Consesuínos? Acho impossível.

Agora, garantir maior transparência é sempre muito bom. Mas é muito difícil você incorporar uma fórmula matemática. Incumbir o governo de arbitrar, que é outra proposta que está aí, pode dar muito errado. Eu já vi governo fazer muita bobagem. Precisa ver como isso vai ser feito. Acho que existem muitas coisas que podem ser feitas para avançar, para melhorar a relação, para impedir abusos. Agora, tem que existir bom senso. Estamos todos no mesmo barco. A indústria está no mesmo barco do produtor. O sucesso de ambos é interdependente. Não adianta pensar que a indústria vai querer explorar o produtor de qualquer maneira. Não vai. Há um conflito distributivo? Sim, mas há também o interesse de que as coisas caminhem de maneira positiva. O produtor precisa ganhar dinheiro, ter estabilidade. Acho que as coisas estão avançando, mas não pode haver o simplismo do Consecana.

SI - Mudando de assunto, é comum ler nos jornais que o Brasil tem (e terá) um papel de destaque no fornecimento global de alimentos. No entanto, na prática, não é o que acontece. O número de barreiras tarifárias, sanitárias, e mesmo comerciais em vigor em relação aos produtos brasileiros é muito grande. Como o senhor analisa essa questão?

 Camargo Neto - O Brasil tomou esse papel de liderança nos últimos anos. É uma posição recente, tem 15 anos. Mas o Brasil é um grande fornecedor de muitos produtos agrícolas. O Brasil tem grande destaque no fornecimento de soja, açúcar, laranja, mesmo nas carnes bovina e de aves. Enfim, o País é o maior fornecedor, ou o segundo maior, de uma grande gama de produtos. Isso é fato, é uma realidade. Agora, existem questões paradoxais. Se pegarmos o Japão, que um grande importador de alimentos, por exemplo, vemos que o Brasil vende pouco para lá. Embora o Japão seja o terceiro maior importador e o Brasil o terceiro maior exportador de alimentos do mundo, o Brasil vende para o Japão somente 3% do que o país asiático importa. Isso é um paradoxo. Como é que o Brasil, grande exportador de alimentos e produtos agrícolas, tem uma participação tão pequena no país que é o terceiro maior importador de alimentos do mundo?

 SI - O Japão é um grande comprador do frango brasileiro. Por que o mesmo não acontece com suínos e bovinos? 

 Camargo Neto - É por conta da questão sanitária. As negociações não andam, não caminham. Eu entrei na Abipecs muito animado, mas confesso que a cada dia estou mais frustrado com a lentidão do andamento dos processos. É muito frustrante. Às vezes penso até em desistir, por que não tem como as coisas andarem tão devagar. Agora, é lentidão do Japão? É, mas, muitas vezes, a lentidão é também do Brasil. É falta de prioridade do Brasil, é atraso de respostas do Ministério da Agricultura, é desinteresse do Ministério das Relações Exteriores. Não se trata, portanto, de culpar os outros apenas. Nós também temos muita culpa e por isso as barreiras sanitárias não têm sido derrubadas. Ou melhor, elas são derrubadas quando acontece algum acaso de sorte. O boi, por exemplo, foi muito ajudado pela crise da vaca louca na Inglaterra 10 anos atrás, pelo foco de aftosa na Argentina 10 anos atrás. As aves foram muito ajudadas pela gripe aviária na Tailândia. No caso de suínos ainda não tivemos nenhuma ocorrência que acelerasse os processos de abertura. Vamos dessa forma caminhando em marcha lenta. Nós contamos o tempo em dias, o governo brasileiro conta o tempo em meses e eles [os importadores] contam o tempo em anos. É muito frustrante essa lentidão do processo de remoção das barreiras sanitárias.             

 SI - Como o senhor analisa o esforço do País em abrir mercados para sua carne suína nos últimos cinco anos?

 Camargo Neto - Estamos avançando muito lentamente. A suinocultura brasileira está estacionada nesse patamar de 600 mil toneladas há seis anos. Os avanços existem, deixamos de ter uma dependência tão grande da Rússia, mas poderíamos caminhar mais rápido. Quer dizer, o Brasil ampliou o leque de países compradores. Se a Rússia ainda estivesse importando 400 mil toneladas estaríamos exportando 800 mil toneladas por ano. Então melhorou, mas estamos estacionados no mesmo patamar. E abrimos mercados que estavam fechados por questão de sanidade. Abrimos Filipinas, que é um mercado pequeno e para o qual estamos vendendo pouco. Abrimos o Chile, que agora inventou uma questão totalmente ilegal que paralisou as vendas novamente. Não abrimos grandes mercados. Abrimos recentemente os EUA com a ajuda de um contencioso do algodão que não tem nada a ver com carne suína. Foi só por isso que conseguimos. Não tem cabimento termos conseguido abrir o mercado norte-americano por conta de um contencioso de algodão. Se não fosse esse contencioso o mercado dos EUA estaria fechado até hoje para a carne suína brasileira. A União Europeia está nos enrolando declaradamente. Fizemos tudo o que queriam em Santa Catarina e eles estão retardando a abertura. Já disseram que vêm aqui neste início de ano, mas que precisarão voltar. É de uma lentidão, de uma má vontade.

 SI - A febre aftosa ainda é o principal obstáculo para o avanço das exportações brasileiras de carne suína?

 Camargo Neto - Para a carne suína ainda é. É também um paradoxo, já que toda a epidemiologia da febre aftosa no Brasil é ligada ao bovino. A suinocultura paga o preço. Não é coincidência que o Estado que avançou no controle da doença seja Santa Catarina, onde a suinocultura é forte e a bovinocultura fraca. A suinocultura é grande por lá, a bovinocultura é pequena e conseguimos avançar no controle da febre aftosa. Não é coincidência, é resultado da grandeza, da preponderância, da liderança do setor de suínos no Estado.

 SI - O desempenho do setor no mercado doméstico em 2010 foi o grande destaque. O senhor acredita que neste ano isso acontecerá novamente? O mercado doméstico é a bola da vez?

 Camargo Neto - Para a agricultura de maneira geral, não só para a carne suína, o mercado interno é o grande patrimônio, o grande ativo. O Brasil só tem essa posição no mercado internacional por que, antes de tudo, tem 190 milhões de consumidores. É o fato de ter um grande mercado interno, que o possibilita crescer rápido, investir muito, ter essa posição de liderança. O Brasil não é um país exportador em nada. Acho que só no caso do café exportamos 50%. Todos os outros produtos exportamos 20%, 25%, 30% do que produzimos. E, por outro lado, existem anos, como foi o de 2010 para a suinocultura brasileira, em que o crescimento é dominado pelo mercado interno. Os preços bons, especialmente dos industrializados, os presuntos, apresuntados, salames, linguiças, esses produtos venderam muito bem. E as empresas não têm preferência. O que importa para elas é vender. Então se ela vender bem internamente é ótimo e para nós também é muito bom.

 SI - No ano passado o consumo per capita de carne suína atingiu 14,5 quilos por habitante ao ano, um crescimento significativo. Quais os fatores sustentaram esse avanço?

 Camargo Neto - O aumento do poder aquisitivo das pessoas. Em 2010 se vendeu mais televisão, mais carro, houve recorde de vendas em vários produtos. Por que não iria vender mais presunto?

 SI - O esforço de algumas agroindústrias e entidades do setor em melhorar a apresentação da carne suína in natura ajudou a estimular o consumo?

 Camargo Neto - Acredito que esse seja um processo que venha ajudando. Se olharmos uma gôndola de supermercado cinco anos atrás a participação da carne suína era muito menor do que é hoje. Então tem melhorado, não há dúvida. Agora, o grande crescimento foi nos industrializados, não nos in natura. O in natura também cresceu, mas para dar esse volume, essas toneladas todas que foram consumidas internamente, vê-se que o crescimento foi no consumo de linguiça, de presunto, no apresuntado etc. O in natura, que é uma parte muito pequena, cresceu bem. Mas, o que deu esse reflexo no mercado interno em 2010 foi o consumo de industrializados. 

 SI - Já faz alguns anos que o Brasil não registra nenhuma ocorrência sanitária. O sistema brasileiro de defesa sanitária melhorou?

 Camargo Neto - Acredito que o sistema sanitário brasileiro melhorou em 20 anos, nos últimos 10 anos. O serviço tem melhorado. Você pega a febre aftosa em 1990, por exemplo, e havia milhares de focos no País. Então, certamente que o sistema de defesa melhorou. Agora, quanto maior a altura maior o tombo. O fato de ter melhorado não quer dizer nada. Ao contrário, não podemos regredir. Não se pode falar que o serviço público de saúde animal federal ou estadual hoje está muito bom e que todo mundo pode dormir tranquilo. Melhorou sim, não podemos ficar apenas criticando. Mas hoje as exigências sanitárias são muito fortes. Se olharmos mundo afora, temos a gripe aviária no Japão, febre aftosa na Coreia do Sul, dioxina na Alemanha, ou seja, existem problemas no mundo inteiro. Então, se o Brasil tem essa pretensão de ser um grande abastecedor de alimentos do mundo, a questão sanitária vai ser cada dia mais importante, mais exigida e temos que estar mais preocupados com ela. Precisamos ser críticos e não sossegar. E existe uma tendência ao sossego. Parece que só quando há um acidente, uma pressão externa, é que tomamos uma atitude. Se está bom hoje é motivo para trabalharmos mais e melhor, para garantir o bom, não para acomodar. E sinto, às vezes, alguma acomodação.

 SI - O senhor citou os casos de dioxina na Alemanha. Eles terão algum reflexo no comércio mundial de carne suína?

 Camargo Neto - Talvez, a Alemanha está sofrendo restrições de diversos países, em particular da Rússia, que é um grande cliente do Brasil. A Alemanha vai resolver esse problema da dioxina e voltar ao mercado. Momentaneamente, porém, pode haver algum reflexo.

 SI - Que leitura o senhor faz desse caso?

 Camargo Neto - Acho que evidencia essa preocupação dos consumidores e as exigências que existem no mundo inteiro, inclusive no Brasil, em relação às grandes indústrias, grandes produções, grandes locomoções de alimentos. É preciso estar atento. Essa é uma tendência e o Brasil tem que se preparar para isso.  

 SI - Que tipo de lições o Brasil pode tirar dessa ocorrência?      

 Camargo Neto - Que fique esperto e tenha serviço público eficiente, que tenha parcerias com o setor privado. O setor privado tem que fazer a sua parte, mais do que o público. Mas o setor público não pode ser visto apenas como fiscal. Tem que ser visto como um parceiro nesse processo de garantia de sanidade e segurança alimentar. 

 SI - Nos últimos anos a valorização do real frente ao dólar tem prejudicado muito as exportações brasileiras. A queda do dólar, no entanto, parece que se tornou um problema mundial. Como o senhor vê a questão do câmbio hoje?

Camargo Neto - Vamos falar em termos de Brasil, que é onde temos condições de influir e de contribuir, já que no âmbito mundial a equação é muito maior, acho que o câmbio continua sendo um problema e o governo tem feito pouco. O Brasil continua tendo os juros mais altos do mundo e esse componente de juros altos atrai dólar especulativo para arbitrar e ganhar dinheiro aqui. Não que seja só isso, existem muitos componentes para a questão cambial no Brasil, mas a questão dos juros é importante e é possível ser mudada, embora o novo governo não tenha esboçado nada ainda nesse sentido. O Brasil continua a ser o país dos juros mais altos do mundo. Agora, se éramos o País dos juros mais altos do mundo no tempo em que tínhamos uma economia fraca, cheia de problemas, e precisávamos ter juros altos para atrair capital, agora a situação é diferente. Agora que o Brasil está esta fortaleza por que isso não muda? Essa é uma explicação que o governo da presidente Dilma [Rousseff] precisa nos dar.        

SI - A Abipecs defende, portanto, a redução de juros como medida para conter a valorização do dólar?

Camargo Neto - Esse seria um dos fatores, não o único. É lógico que existe toda a questão fiscal, que inclui orçamento, e que todo mundo fala a toda hora, e que sabemos que é difícil. O problema é fiscal sim, mas o problema também é monetário. Não precisávamos estar com esses juros mais altos do mundo se a economia vai tão bem.



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