Consumo interno de carne suína está em alta e não há pressão para exportação

10/08/2010

Folha de S. Paulo (Vaivém das Commodities)
Mauro Zafalon

O preço médio da carne suína subiu 23% nos sete primeiros meses deste ano no mercado externo. O Brasil não aproveita, no entanto, muito essa aceleração. Isso porque o volume das exportações está em queda.

O preço médio da tonelada de carne suína foi a US$ 2.455 (R$ 4.301) nos sete primeiros meses deste ano, enquanto as exportações recuaram para 313,5 mil toneladas no período -queda de 8,5%, segundo dados da Secex.

Um dos motivos desse cenário é que a crise europeia provocou desvalorização do euro e tornou a carne suína da região mais barata para os russos, que são os principais importadores do Brasil.

Os europeus passam a concorrer com o Brasil no momento em que o real está valorizado e torna o produto menos competitivo.

Já os brasileiros, para ganhar mais mercado externo, deveriam baixar os preços da carne, o que não compensa porque internamente o consumo está aquecido e remunera bem.

Na avaliação de Pedro Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora), não há uma pressão para exportar mais neste momento.

"O mercado interno cresce, os estoques estão ajustados e o ciclo de produção de carne suína é longo", diz ele. "O setor está bem", conclui.

Camargo Neto adverte, no entanto, que os custos atuais ajustados, devido aos preços baixos do milho, podem subir. A aceleração dos preços externos do trigo está empurrando para cima as demais commodities agrícolas, entre elas o milho.

Exportações Os problemas climáticos enfrentados pelos europeus podem gerar demanda de até 2 milhões de toneladas de milho, na avaliação da consultoria Céleres.

Preços Clima na Europa e alta nos preços internacionais do trigo são uma real possibilidade de movimento de elevação dos preços internos do milho, segundo a consultoria.

Inflação A alta nos preços internacionais das commodities agrícolas devem influenciar o IPA (Índice de Preços por Atacado) do IGP, segundo avaliação da consultoria Rosenberg.

Ritmo forte A exportação de carne subiu 29% na primeira semana do mês, sobre julho, para US$ 73 milhões (R$ 128 milhões) por dia útil, mostra a Secex.

Safra de café gera ligeira recuperação de estoques

A safra brasileira de café é boa e cobre as necessidades do mercado. Deve haver, inclusive, ligeira recuperação dos estoques, diz Guilherme Braga, do Cecafé (conselho dos exportadores).

Na sua avaliação, os estoques podem ficar entre 2 milhões e 6 milhões de sacas. No caso de 2 milhões, haverá "um elemento de alta". Já os 6 milhões "não exercem pressão de baixa".

O comportamento dos preços neste semestre será determinado pelo clima. Se a florada não for boa, o mercado começará a praticar preços mais elevados.

O Brasil exportou menos neste ano, mas recebeu mais. Dados do Cecafé mostram recuperação externa nos preços. O aumento de receitas se deve aos valores baixos praticados em 2009, devido à crise financeira internacional.

Com KARLA DOMINGUES