São Paulo, 07 de fevereiro de 2012
Brasil Econômico
Luiz Silveira
Um dos mercados mais fechados para produtos agrícolas do mundo, a União Europeia agrada o agronegócio brasileiro ao sinalizar a intenção de negociar com o Mercosul. Mas o empresariado nacional não esconde o ceticismo.
A exportação de 500 mil toneladas de açúcar da UE acima dos limites estabelecidos em acordo coma Organização Mundial do Comércio (OMC) foi vista como ameaça no início deste ano.
“Queremos que a UE cumpra o que foi estabelecido, e o que nos resta é abrir um novo painel na OMC”, defende o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza. Na opinião do executivo, que comanda uma das maiores comercializadoras de açúcar e álcool do mundo, as negociações bilaterais têm pouco efeito no comércio com Estados Unidos e União Europeia, uma vez que os lobbies agrícolas domésticos são muito fortes nesses mercados.
“Com eles, tem que ter um pouco mais de jogo bruto”, opina. O momento político e econômico de ambos os blocos também causa descrença. Na UE, a situação macroeconômica pode exasperar sentimentos de proteção ao emprego e à renda, contrários a uma liberalização
do comércio. Do lado de cá do Atlântico, o clima eleitoral no Brasil, com muitos ministérios ocupados por interinos, também é visto como complicador. Há ainda o temor de que o setor industrial apresente resistência às propostas de liberalização, uma vez que os principais interesses da UE com o Brasil estão na área de produtos industrializados.
“Sinto as indústrias brasileira e argentina unidas em uma posição de resistência”, diz Pedro de Camargo Neto, especialista em comércio exterior e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
Embora cético com relação às negociações bilaterais Mercosul- UE, Camargo Neto diz que qualquer avanço é bem-vindo. O executivo, que foi um dos autores do contencioso do algodão contra os Estados Unidos na OMC, acredita que é até possível que o acordo entre os blocos chegue em uma abertura do mercado europeu para a carne suína brasileira.
Afinal, o processo de abertura corre há anos nos corredores de Bruxelas. “Acredito em uma cota menor que 100mil toneladas, por exemplo”, detalha. Os principais mercados fechados para o açúcar e a carne suína brasileiros no mundo são os Estados Unidos e a União Europeia.
Mesmo indústrias que são tradicionais exportadoras de produtos agrícolas para a UE, como as de carne de frango, vivem às voltas com medidas protecionistas e políticas de definição de cotas de importação do bloco europeu.
Carne suína é uma carne gorda?
A importância dos suínos para a medicina humana
A carne suína tem proteínas de qualidade em quantidade. Ela apresenta um teor protéico elevado.