Ameaça de desindustrialização é descartada por empresários

29/03/2010

Brasil Econômico (online)
Michele Loureiro

O tema foi debatido nesta segunda-feira (29) por empresários e especialistas durante o seminário sobre produção de commodities e desenvolvimento econômico "O Esforço Empresarial Brasileiro", realizado em São Paulo.

"Não podemos cair no equívoco desta hipótese. Precisamos aproveitar esse encontro e encerrar essa conversa. O Brasil teve avanços agronômicos e geotécnicos que acompanharam o aumento das exportações", destacou Pedro de margo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).

Camargo Neto lembrou que cerca de 30% da produção agrícola do Brasil é exportada. "Nós devemos nos orgulhar da evolução nacional, que conseguiu aliar competitividade ao desenvolvimento. Fomos capazes de suprir o mercado interno e estar na lista dos maiores exportadores. Temos cadeias agrícolas complexas e importantes geradoras de empregos. Por isso, não podemos nos ater à discussão do fenômeno da comoditização".

"O superávit na balança comercial, os bons resultados da economia do país. Quem colabora para isso? Vamos continuar dizendo que não é bom incentivar as commodities?", provocou o diretor presidente da Vale, Roger Agnelli. "Esta discussão não leva a lugar nenhum, nós conseguimos nos tornar bons nisso e precisamos valorizar nossa posição", destacou.

Para Agnelli, o Brasil tem potencial para ser o maior país agrícola do mundo. "Também podemos nos tornar o maior minerador do mundo e, com o pré-sal, por que não pensar em ser maior produtor de petróleo? Precisamos usar nossos pontos fortes para desenvolver os outros setores mais fragilizados", defendeu o executivo da Vale.

Para o presidente da Abipecs, o país tem condições de se destacar em outros segmentos, como manufatura e serviços. "Precisamos desenvolver a tecnologia desses setores. Na agricultura, a discussão se resume a ‘mais do mesmo'. Precisamos de maior incentivo fiscal e mais abertura econômica. Além disso, precisamos voltar nossa atenção para a questão da infraestrutura nos transportes, pois somente desta forma poderemos controlar os gargalos da agricultura", pontuou Camargo Neto.

"Nosso debate deve ser focado em melhorias. Precisamos aproveitar o ano eleitoral e este seminário para encerrar a pobreza que é tratar desse assunto da desindustrialização e começar olhar para o futuro", encerrou.

"Onde somos bons, precisamos nos concentrar para ser melhores ainda", finalizou Agnelli.