São Paulo, 05 de fevereiro de 2012
Diário Catarinense
Alícia Alão
As perspectivas do setor não são de um otimismo exagerado, mas não deixam de ser positivas. Com a queda nas exportações em 2008 e 2009, a previsão é de que 2010 seja melhor. Entre as dificuldades para a carne lá fora estão barreiras sanitárias e tarifas.
O presidente da Abipecs, Pedro Camargo Neto, vê na questão sanitária o primeiro grande obstáculo às carnes brasileiras. Depois entram competitividade, logística, portos, estradas e estrutura tributária. Para 2010, espera que seja o ano da abertura, apesar de ainda não ter nenhuma novidade para comemorar. Lembra que estamos adiantados com a União Europeia e citou o governador Luiz Henrique, que deve conseguir um avanço com o mercado norte-americano. Na Ásia, vê boas perspectivas na China, Coreia do Sul e Japão.
O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Wolmir de Souza, lembra que as cinco principais agroindústrias em suínos estão em SC. Ele vê boas perspectivas para 2010, com a produção crescendo entre 5% a 6% ao ano, o que não oferece problemas de oferta.
Quanto às aves, o presidente da Abef, Francisco Turra, espera um crescimento de 5% em volume 10% em receita de exportações de frangos sobre 2009.
Aumento do petróleo afeta positivamente as vendas
O otimismo passa pelo aumento do petróleo. O vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, comemora a recuperação do preço do barril, porque os árabes compram 25% da produção de frango brasileira. Para ele, uma grande vantagem das aves é que a carne é exportada em cortes, o que agrega valor. Já a grande maioria dos suínos é vendida em carcaça.
Barbieri vê o problema maior da falta de espaço no mercado externo para os suínos. Diz que União Europeia, EUA e Japão ainda não aceitam o fato de SC ser livre de febre aftosa sem vacinação. Calcula que o mundo importa 6 milhões de toneladas de carne suína e Brasil exporta 11% disso. Acredita que se ampliarmos 10% este ano, será um volume significativo.
– O Estado tem que trabalhar sua sanidade e agregar valor para poder trazer mais valor. Não só o volume faz diferença, mas o valor agregado traz muito mais recursos.
Barbieri afirma que a vantagem para o produtor de suínos em relação ao ano passado não foi somente o preço – que pulou de R$ 1,80 para R$ 2,10 –, mas também a redução do custo de produção. Com o excedente de milho e soja, os preços caíram em todo mundo e o custo da suinocultura baixou 15%, segundo a Faesc. Barbieri afirma que a atividade tornou-se mais rentável.
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