São Paulo, 05 de fevereiro de 2012
Feed&Food
No mundo dos negócios, em 2009, muitos projetos foram adiados e outros nasceram esculpidos pela crise financeira mundial iniciada em 2008. Para o agronegócio a situação não foi diferente. Apesar disso, profissionais da indústria de produção de proteína animal atravessaram a ponte para 2010 comemorando resultados positivos, podendo agora contemplar novos projetos. Contudo, a preocupação em comum de todos os mercados é a questão cambial. O impacto dos fluxos financeiros não foi ainda equacionado pelo Governo Federal e representa grande desafio macroeconômico para este ano. A revista feed&food em entrevistas exclusivas conversou com representantes de cada segmento onde fizeram uma avaliação do ano que passou e desenharam os possíveis caminhos para este ano que se inicia.
Aquicultura: proteína que mais cresce. 2009 foi um ano histórico para a aquicultura brasileira e quem fala sobre o assunto é o Ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin. Ele ressalta que foi um ano onde o setor obteve grandes conquistas e criou condições estratégicas para seu desenvolvimento. “O primeiro grande passo foi a transformação, no mês de junho, da Secretaria da Pesca em Ministério da Pesca e Aquicultura, que trouxe ao setor mais orçamento, mais poder e mais independência, um marco muito importante”, comemora.
Outro fato importante, destacado por Gregolin, foi a nova Lei da Aquicultura e Pesca, nº 11.959 de 29 de junho de 2009, onde a aquicultura foi reconhecida e possui um item somente para a atividade. “Na antiga lei, a aquicultura não era ao menos citada”, lembra.
A criação da Embrapa Aquicultura e Pesca foi outra conquista para o setor, aponta Gregolin. “A intenção é que o Brasil tenha uma instituição que coordene um plano nacional de pesquisa”, afirma. Este ano, a Embrapa Aquicultura e Pesca realizará concurso e abrirá 50 vagas para pesquisadores, segundo informa.
Foi também em 2009, lembra o Ministro, que o setor conseguiu junto ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama, Brasília/DF), a aprovação da resolução que disciplina e agiliza o licenciamento ambiental para os empreendimentos de aquicultura. “É o resultado de 5 anos de trabalho”, salienta.
Um resultado importante que o setor não pode deixar de lembrar, garante Gregolin, é a concessão de uso das Águas da União, um marco legal para que o setor tenha condições legais de produzir em costa marítima, que apesar de ter acontecido em 2008, somente em 2009 é que ganhou força. “A concessão dará um grande impulso na produção”, argumenta.
No que diz respeito ao consumo de pescados, Gregolin destaca que nos últimos três anos houve aumento de 15%, a tal ponto que em 2008, das 209 mil toneladas consumidas no Brasil, 16% foram importadas. “Isso é reflexo de promoções de vendas e do aumento da renda do brasileiro”, pontua.
O Ministro Gregolin finaliza dizendo que o pescado é hoje a cadeia produtiva mundial que mais tem espaço para crescer. “A tendência para os próximos anos é baixar o consumo de carne vermelha e aumentar a carne de pescado. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO, hoje são consumidos em torno de 16 kg/ano por pessoa no mundo e até 2030 a tendência é chegar em 22 kg. Uma oportunidade para o Brasil crescer não só internamente, como mundialmente”, frisa e finaliza: “hoje temos uma política de Estado que independentemente do Governo terá continuidade fazendo com que o setor esteja sempre em desenvolvimento. O Brasil hoje produz cerca de 1,1 milhão de toneladas/ano e tem potencial para produzir 20 milhões. A expectativa é que até 2020 se chegue a esse resultado”.
Ele lembra que o 1º Censo aquícola do Brasil está sendo finalizado e outras informações estarão disponíveis em junho deste ano.
Na mesa de todos os brasileiros. Na avicultura, a produção conseguiu se manter estável, sem grandes prejuízos. O presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA, São Paulo/SP), Ariel Mendes, conta que em termos de produção e exportação, o setor avícola repetiu os resultados de 2008, pois a redução foi insignificante. “O que foi um ganho se considerarmos a crise”, comemora, mas ressalta: “contudo, o custo da produção foi alto e algumas empresas tiveram que trabalhar no vermelho durante algum tempo, já que muitos mercados reduziram suas compras”.
No mercado interno, explica Mendes, faltou crédito e muitas empresas tiveram que diminuir a produção. “Apesar disso, não houve excesso e nem falta de produção”, pontua.
Outros mercados também contribuíram e refletiram no mercado avícola como a baixa no preço da carne bovina, que teve queda nas exportações e a boa oferta de milho e soja com bons preços durante o ano.
As expectativas são boas para 2010, enfatiza Mendes. “Acredito que a situação deva se normalizar. Porém, é importante que o Governo se preocupe com o câmbio, caso contrário, a exportação será prejudicada. De maneira geral, acreditamos que o setor deva crescer 3%, mas dependerá das exportações”, frisa.
Com relação ao consumo interno neste ano, Mendes acredita que o frango é a proteína que já alcançou um excelente patamar com 39 kg per capita ano. “Acreditamos que talvez chegue a 42 kg em quatro anos, mas o importante é manter. Hoje o poder aquisitivo que cresce já não é sinônimo de consumo mais alto de carne de frango, pois já está na mesa da maioria dos brasileiros”, conclui.
Do Brasil para o mundo. Se no Brasil, o consumo de carne de frango já atingiu um excelente patamar em termos de consumo, no mundo, o frango brasileiro tem ainda mercados a conquistar e consolidar. O presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF, São Paulo/SP), Francisco Turra, lembra que a crise financeira internacional impactou a avicultura brasileira de exportação em 2009, causando retração de importantes mercados. “As dificuldades com relação ao câmbio, ao protecionismo estabelecido pela União Europeia e a redução das exportações russas foram alguns dos problemas enfrentados pelo segmento, mas mesmo com essas adversidades, conseguimos nos manter como um dos componentes mais importantes do agronegócio nacional”, salienta.
Segundo conta, a ABEF acompanhou todos os momentos e em toda a extensão da crise global e, sabendo da queda de importações de alguns mercados, buscou novos e consolidou outros, hoje mais trabalhados. “O resultado foi satisfatório. Lamentável é que deixamos de irrigar com US$ 1 bilhão os diversos segmentos da cadeia avícola, que é vital como geradora de renda e emprego e merece continuar competitiva. Desobstruir barreiras tarifárias ajudará a permitir a volta da renda e, como consequência, investimentos inovadores no setor”, acredita.
Além da perspectiva de atingir novos mercados, em 2010, a expectativa é que, para minimizar a conjuntura adversa que o Brasil enfrenta, é preciso que o Governo determine a desoneração tributária, especialmente em relação ao PIS/COFINS, e assim, dar mais competitividade às empresas. “Dessa forma poderemos manter a carne de frango brasileira entre as mais consumidas do mundo, aliados sempre à grande parceria de toda a cadeia produtiva, à qualidade, à sanidade e aos preços acessíveis”.
Ovos: falta equilíbrio entre oferta e procura. O diretor da Ovos Brasil, José Roberto Bottura, conta que até em meados de julho de 2009, os negócios foram bons para o mercado interno de ovos. “Havia equilíbrio entre oferta e procura e o produtor tinha uma boa margem de rentabilidade”, frisa.
Contudo, após julho os preços começaram a cair e a oferta começou a ser maior que a procura. “O custo passou a ficar maior que o preço. A caixa de ovos que custava R$ 38,50 para produzir, era vendida por R$ 24,00”, informa.
No final do ano, a situação melhorou, mas o custo ainda é maior que o preço pago pela caixa. Hoje o custo é de aproximadamente R$ 42,00 e o preço pago é de R$ 36,00.
Com relação às exportações, Bottura lembra que até julho de 2009 elas haviam diminuído 50%. Porém a partir de agosto, as exportações deram um salto e no final de 2009 chegamos a exportar 800 mil toneladas a mais que 2008, mas ainda está muito longe do volume exportado em 2007. Já a receita foi catastrófica, destaca Bottura. “Passamos de US$ 58.041 milhões em 2008, para US$ 49.276 milhões em 2009”.
No mercado internacional um dos sinais de alerta veio da Índia que voltou a exportar depois dos problemas sanitários que teve com a Influenza Aviária. “Apesar de o país ter a vantagem de estar mais próximo dos países importadores de ovos, em qualidade, a Índia perde. E por isso, acredito que não seja uma ameaça para a produção brasileira, visto que a qualidade do ovo brasileiro é superior”, salienta.
Para 2010, Bottura acredita que o mercado só será equilibrado se for produzido apenas o necessário para o preço ficar justo. “Está nas mãos do produtor fazer um alojamento consciente para que não haja excesso de produção”, conclui.
Ovos Made in Brazil. Para estimular a exportação de ovos brasileiros, a ABEF, estruturou uma proposta de estratégia para 2010. O plano já foi apresentado no início deste ano às empresas do setor, que farão parte do quadro de associados da entidade.
Segundo a entidade, a estratégia prevê ações em três eixos. Um deles é o desenvolvimento da área técnica, com iniciativas para identificação das necessidades atuais do setor como sanidade, qualidade, produção animal e certificações; reuniões com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF) para definição de agenda do setor e encontros técnicos para tratar de temas de interesse dos exportadores.
O segundo eixo diz respeito à inteligência comercial, para determinar mercados a serem abertos ou desenvolvidos, entre eles os maiores importadores mundiais de ovos como China, Hong-Kong, Cingapura, Rússia e União Europeia. O terceiro eixo contempla ações de promoção comercial. A entidade está renovando seu projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil, Brasília/DF), que deverá ser concluído até março, e que prevê recursos destinados à confecção de material promocional e à realização de dois eventos exclusivos para promover a exportação brasileira de ovos. Nas feiras internacionais das quais a ABEF participará, o segmento também será contemplado na Gulfood, em Dubai (Emirados Árabes Unidos), que acontece este mês, na FoodEx, no Japão, em março, na Sial China, em maio e na Sial Paris, em outubro, além de iniciativas na Copa do Mundo da África do Sul, em julho.
Um das novidades é um estudo de branding para o setor, com o desenvolvimento de uma marca internacional, Brazilian Egg, e respectivo material internacional. Segundo dados da entidade, a exportação brasileira de ovos foi ampliada nos últimos anos, passando de quase 14 mil toneladas em 2005 para quase 37 mil toneladas em 2009. “Temos certeza de que poderemos dar um salto ainda maior com essas iniciativas. Afinal, ovo é um alimento com todas as proteínas, e no caso do Brasil, está diretamente ligado a uma qualidade e sanidade da carne de frango que é reconhecida internacionalmente”, informa o presidente executivo da ABEF, Francisco Turra.
Carne suína, força na produtividade. O setor suinícola se despediu de 2009 apostando em um novo ano mais revitalizado, após tantos traumas. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs, São Paulo/SP), Pedro de Camargo Neto, o início de 2009 foi muito difícil e os sinais de dificuldades vieram logo no primeiro semestre.
A suinocultura brasileira iniciou o ano com grandes volumes estocados diante da queda brusca das exportações no final de 2008, o que somado à oferta de outras carnes, principalmente de boi e de frango, comprometeu resultados junto a produtores e indústrias.
Contudo, ainda sob a influência dos acontecimentos de 2008 (estabilização dos alojamentos de matrizes e da produção no mercado spot), a produção de 2009 teve um desempenho robusto, atingindo 3,19 milhões de toneladas, devido principalmente a ganhos da produtividade nas integrações e, de modo geral, no peso médio de abate. A suinocultura industrial foi a que mais cresceu (7%).
No segundo semestre, lembra Neto, a situação ficou muito delicada para o setor com a chegada da gripe A H1N1, chamada popularmente e erroneamente de gripe Suína.
No mercado externo, apesar da diminuição do consumo, desvalorização do dólar e na queda de preços internacionais, as exportações tiveram um bom desempenho em termos de volume, avalia o presidente da entidade. O volume exportado foi de 600 mil toneladas, aumento de 8,68% com relação a 2008. A piora foi na receita que teve queda de 23,20%, com um total de US$ 1,02 bilhão.
Para 2010, as expectativas são razoáveis, aponta Neto, que acredita que o principal mercado a ser conquistado é o consumidor brasileiro. No mercado externo, a principal expectativa é a União Europeia. “É claro que as vendas para a UE será apenas uma pequena cota, mas é uma porta aberta que nos trará credibilidade para conquistar outros mercados”, finaliza. Para a Abipecs, as missões veterinárias da União Europeia e da Coreia do Sul, que visitaram Santa Catarina em 2009, representam um alento ao difícil processo de abertura de mercados. Além disso, a abertura dos mercados das Filipinas e do Vietnã e a melhoria das cotas de exportação para a Rússia devem contribuir para que as exportações este ano superem a marca das 600 mil toneladas, a preços próximos aos de 2008.
Laticínios e a ociosidade. Assim como os outros, o mercado lácteo esperava um 2009 bem diferente. É o que afirma o zootecnista e consultor da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro. Segundo conta, os anos anteriores, 2007 e 2008, foram positivos, principalmente no que diz respeito à exportação. “Por isso, muitas empresas se prepararam e investiram esperando aumentar a quantidade de leite em pó exportado em 2009”.
Entretanto, frisa Ribeiro, com a redução da demanda mundial, principalmente de alguns países da América do Sul e norte da África, muitas dessas empresas ficaram ociosas e houve uma redução de 70% em termos de faturamento no Brasil. As importações ultrapassaram as exportações, o que deixou o setor em alerta. Ao contrário de 2008, onde as exportações chegaram a US$ 509.167,74 e as importações a US$ 211.162,71, em 2009 as exportações foram de US$ 147.793,62 e as importações US$ 261.943,39.
Para o presidente da Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo (Leite São Paulo) e membro da Câmara Setorial de Leites e Derivados do Estado de São Paulo, Marcello de Moura Campos Filho, o que aconteceu no agronegócio do leite brasileiro em 2008 e 2009 deveria ser investigado.
Segundo conta, no final de 2008 a indústria pagou pouco ao produtor e alegou excesso de produção e alta nos estoques. “Em janeiro de 2009, período em que o consumo diminui, os estoques “sumiram” e foi necessário importar leite em pó de países vizinhos como Argentina e Uruguai”, comenta.
No segundo semestre do ano passado, a indústria alegou novamente, afirma Moura, excesso de oferta, devido a abundância de chuvas aumentando a produção dos pastos. “Dessa maneira, é estranho que as importações liquidas de leite em pó tenha se mantido elevada no segundo semestre. Como resultado, em 2009 houve a importação de leite em pó equivalente a meio bilhão de litros”, frisa.
Campos espera que em 2010 haja mais comunicação e entendimento entre produtor, indústria e varejo. “O Governo Federal deveria tomar a iniciativa e mediar, não comandar e apenas coordenar uma conversa entre os elos para que seja feita daqui para frente uma política do setor lácteo. Caso contrário, o Brasil corre um sério risco de se tornar um grande importador de lácteos novamente”, ressalta e acrescenta: “não é só o produtor que sofre com os problemas do setor, a indústria é muito frágil e também perde”, afirma. No caso do varejo, há uma grande instabilidade de preços como o do leite longa vida, por exemplo. “Seria interessante que não se abaixe tanto com o excesso de oferta e fizessem uma reserva monetária para não precisar aumentar tanto o preço na falta do produto”, exemplifica.
Campos acredita que só com o envolvimento de todo o setor é que o Brasil conseguirá ser competitivo no mercado internacional e abrir mais mercados.
Carne bovina: aposta no mercado interno. A cadeia produtiva da carne bovina também sofreu com a crise financeira mundial e o diretor Técnico da Agra FNP (São Paulo/SP), José Vicente Ferraz, conta como foi o ano de 2009.
Do ponto de vista dos preços, lembra Ferraz, acreditava-se que seriam superiores em 2009 e, apesar da turbulência na economia internacional, até certo ponto as previsões foram otimistas, mas o resultado ficou muito abaixo dos resultados de 2008.
Um fato que marcou, frisa Ferraz, foram as fusões de grandes frigoríficos como, por exemplo, a JBS e Bertin. “Para os pecuaristas, a questão teve dois lados. Foi negativa no que diz respeito aos preços, pois não há opção de compradores. Já com relação à segurança de venda do boi a prazo a um frigorífico e a certeza de que ele não vai falir, foi um ponto positivo”, salienta.
Com relação ao mercado internacional, Ferraz explica que muitos fatores influenciaram como o fato de que grandes importadores de carne bovina, entre eles, Rússia e países do Oriente Médio, que tinham suas economias baseadas no petróleo, viram essa commoditie despencar em 2009. “E para o Brasil foi uma demanda que deixou de existir”, conta e acrescenta: “a Venezuela também é um exemplo, que viu o preço do barril de petróleo despencar, de US$ 140 para US$ 70 em 2009, e diminuiu as exportações de carne bovina em 50%”.
Em 2010, as perspectivas são boas para o mercado interno, afirma Ferraz, tendo em vista as previsões de crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil. “Com o aumento da renda e por ser um ano de eleições, quando há mais dinheiro em giro, a expectativa é que o consumo aumente”, destaca.
Hoje o consumo per capita/ano no Brasil está em torno de 31 kg, informa Ferraz, muito aquém de outros países como Argentina, onde o consumo por pessoa está em aproximadamente 70 kg de carne bovina/ano. “Mas sabemos que o consumo não está dividido igualmente no País. Por exemplo, no Sul, podemos ter gaúchos comendo 80 kg de carne bovina/ano. Já no Nordeste, a média pode não chegar a 10 kg. Por isso a carne bovina tem muito espaço ainda na mesa dos brasileiros e o ponto-chave é a renda”, acredita.
No que diz respeito ao mercado internacional, Ferraz frisa que todos terão que esperar as mudanças estruturais que deverão acontecer nas principais economias do mundo, como Estados Unidos e Europa. “Teremos que ter muita paciência, pois o mercado externo não se recuperará tão rápido como desejamos”, finaliza.
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