São Paulo, 07 de fevereiro de 2012
Agência Estado
A produção de carne suína no País cresceu 7,03% no ano passado, atingindo 2,87 milhões de toneladas na indústria brasileira, de acordo com estimativa divulgada hoje pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). O presidente da entidade, Pedro de Camargo Neto, atribui o avanço à melhora da produtividade na cadeia suína brasileira, pois a oferta de suínos para abate e o alojamento de matrizes apresentaram avanços menos significativos no mesmo período. Para 2010, ele evitou fazer projeções.
Os dados da Abipecs mostram um crescimento de 3,41% no número de matrizes alojadas no País em 2009, atingindo 1,57 milhões, ante 1,52 milhões em 2008. A região Centro-Oeste foi a responsável por esse resultado, já que outros grandes estados produtores - Santa Catarina (-1,71%), Paraná (-7,16%), São Paulo (-4,35%) e Minas Gerais (-1,95%) - registraram queda no alojamento de matrizes, enquanto no Rio Grande do Sul houve estabilidade. Em contrapartida, em Mato Grosso do Sul os alojamentos avançaram 25%, em Goiás houve crescimento de 6,8% e em Mato Grosso, de 2%.
"Novas produções caminham atrás da ração", disse Camargo Neto. Redução no custo logístico e equacionamento de questões ambientais, segundo ele, são os principais motivadores para o aumento da produção no Centro-Oeste. "No Sul do país, aumento de produção só ocorre por meio de avanços tecnológicos", observou.
Refletindo esse aumento da produtividade, a oferta de suínos para abate aumentou 6,1% em 2009 e chegou a 34,68 milhões de cabeças em todo o País. O maior avanço ocorreu no Rio Grande do Sul (10,9%), seguido pelo Paraná (9,8%), Mato Grosso (8,8%) e Mato Grosso do Sul (8,2%). "Novas tecnologias estão permitindo a produção de mais carne com o mesmo número de matrizes", afirmou. Entre elas, Camargo Neto citou o desenvolvimento de uma vacina que permite que a matriz desmame um leitão a mais por ano. Esse tipo de conquista, de acordo com ele, se refletiu em melhora da rentabilidade do produtor.
Demanda - Segundo o presidente da Abipecs, a maior parte do aumento de produção conquistado no ano passado foi absorvido pelo mercado doméstico, pois as exportações, apesar de terem apresentado um crescimento de 14% em volume ante 2008, encontram obstáculos para conquistar maior espaço, como a valorização do câmbio e barreiras sanitárias impostas por países importadores.
"O câmbio, mais do que qualquer outra coisa, será o fator determinante para o comportamento das exportações este ano", afirmou. Segundo ele, países como Estados Unidos e Dinamarca estão conquistando novos mercados, tendo a sua competitividade favorecida pela questão cambial.
Para 2010, ainda são esperados avanços nas negociações entre Brasil e União Europeia, China e Japão que poderão resultar na abertura de novos mercados para a carne suína brasileira, hoje proibida de entrar nesses países. "Mas o resultado disso sobre os valores exportados devem ser sentidos de forma mais significativa em 2011, quando colheremos os frutos do que conseguirmos este ano", disse Camargo Neto.
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