Artigo impresso de www.abipecs.org.br
Diário Catarinense
Alícia Alão
O Brasil busca ampliar mercado em dez novos países para seus produtos agrícolas, principalmente as carnes. Como um dos maiores exportadores de carnes do país, especialmente de frangos e suínos, Santa Catarina poderá abocanhar bons negócios. Entre os novos mercados estão países africanos e asiáticos, e a ampliação de negócios com gigantes como a China.
A medida foi anunciada no final de fevereiro pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que mira um potencial de US$ 10 bilhões. No ano passado, China e África do Sul aceitaram importar aves, e Argentina, Filipinas e Vietnã, os suínos.
Quando se abrem mercados, Santa Catarina é o maior beneficiado, na opinião do presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Francisco Turra. Entre os novos para as aves catarinenses, Turra cita ampliação de oportunidades na China. Há boas possibilidades também em Angola e Nigéria, e faltam detalhes para negociar com Indonésia.
O presidente da Abef diz que faltam detalhes para destravar Paquistão, onde está um diretor da associação. E na Malásia, assim como na China, o objetivo é ampliar oportunidades. Na Índia, o mercado já está aberto, mas que há dificuldades tarifárias.
– Estamos trabalhando em 15 mercados para conseguir pelo menos cinco, que somam uma população de 600 milhões de habitantes.
União Europeia, Japão e EUA são as prioridades do setor
O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, diz que há problemas de aceitação para a carne suína, devido a questões sanitárias, e não está otimista no curto prazo. Mesmo assim, comemora a confirmação da compra de 40 mil toneladas pelo Vietnã e Filipinas (20 mil cada), e a ampliação de outras 20 mil toneladas para a Rússia.
Barbieri prevê ampliação de 10% nas exportações de suínos, enquanto a produção deve crescer apenas 2% a 3% e espera um ganho maior para o produto este ano, com oferta e procura “mais ajustada”. Para ele, o grande objetivo de SC é atingir União Europeia, Japão e EUA, que pagam melhor.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, visitou recentemente China, Coreia do Sul e Japão, onde há grandes perspectivas ainda para este ano. Em 2005, Santa Catarina perdeu para o Rio Grande do Sul o posto de maior exportador de suínos, porque a Rússia deixou de comprar as carnes catarinenses.
Barbieri lembra que empresas como Sadia e Perdigão redirecionaram os leitões ao estado vizinho para exportar a partir de lá. O mercado russo foi reaberto somente no ano passado. Neto, acredita que, com os novos acessos a mercados, Santa Catarina deve reconquistar o primeiro lugar nas exportações, pois é o único com status sanitário máximo perante a Organização Internacional de Saúde Animal, livre de febre aftosa sem vacinação. Ele reforça que mais exportações representam mais empregos, maior renda, maiores avanços tecnológicos, menores preços (inclusive internos), além do papel fundamental no equilíbrio macroeconômico, em função do balanço de pagamentos.