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Abrir mercados

O Globo
Pedro de Camargo Neto

Nos últimos dez anos, as empresas brasileiras amadureceram e a globalização encarregou-se de mostrar que o caminho do sucesso são as operações em escala global. Assim, para um país potência agrícola, como o Brasil, ocupar espaços no mercado internacional é consolidar a competitividade alcançada com avanços tecnológicos, desregulação e abertura comercial.

Embora em 2009 o mercado interno tenha sido mais atrativo do que o externo para a carne suína, o Brasil deverá fechar o ano com 598 mil toneladas exportadas, um aumento de 12,8% em relação às 530 mil toneladas de 2008. Sem dúvida, a queda dos preços internacionais em dólar e a valorização do real ante a moeda americana foram os pontos mais críticos do ano. Mesmo assim, o produto nacional se mostrou competitivo.

A mensagem neste fim de 2009 é que estamos confiantes na abertura da União Europeia em 2010 e no avanço do processo de abertura de mercado nos EUA. De fato, precisamos desses dois mercados para consolidarmos a visão de qualidade sanitária da carne suína brasileira. Outros mercados, como Japão e Coreia do Sul, além de importarem grandes quantidades, são muito interessantes, pois altamente exigentes, compram qualidade, o que leva a uma melhora do padrão de nossas indústrias, e pagam muito bem por isso. O Japão importa cerca de 25% do que o mundo produz de carne suína, mas essa importação representa quase 50% dos valores envolvidos com as importações mundiais do produto.

O Brasil é o quarto maior exportador de carne suína depois da União Europeia, dos EUA e do Canadá. Em 2010, vamos continuar trabalhando para consolidar a competitividade brasileira e isso significa abrir novos mercados.

Vender produtos agroindustriais no exterior implica não apenas negociar redução de tarifas de importação ou ampliação de cotas, mas, sobretudo, a eliminação de barreiras sanitárias. Esse é o mote: a sanidade abre ou fecha portas.

Derrubar uma barreira sanitária envolve etapas. A primeira e mais importante é o Brasil ter, de fato, sanidade. Nem toda barreira sanitária é protecionismo injustificado. Todo país tem o direito de proteger a saúde pública, animal ou vegetal. Antes de tudo, portanto, é preciso existir serviços de vigilância e sanidade agropecuária eficientes.

A segunda etapa envolve convencer os países importadores de que temos sanidade, o que nem sempre é fácil. Inúmeros tipos de atrasos e protecionismos injustificados são utilizados. É aqui que o Acordo sobre Sanidade e Fitossanidade da Organização Mundial do Comércio (OMC), conhecido como SPS, precisa ser priorizado. Negociado na Rodada Uruguai do antigo GATT, o SPS representa importante avanço, com a exigência que qualquer barreira seja fundamentada na ciência.

O Brasil encontra hoje barreiras sanitárias em praticamente todos os maiores importadores de carne suína do mundo, com exceção da Rússia, que ainda não integra a OMC.

O potencial de crescimento das exportações e, consequentemente, da produção, com a geração de renda e emprego, é muito grande.

O sucesso do futuro se encontra primeiramente em nossas mãos: ter e garantir sanidade.

Para tanto, precisamos de um serviço público de sanidade animal eficiente e atuante e um setor privado aliado e atento a seu lado.